Assine o Feed desse Blog"Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde! Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te. Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinha. Há uma doce luz no silencio,e a dor é de origem divina. Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo" Cecília Meireles.
Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão, se havia gente dormindo sobre o própro coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando áqueles que não se levantarão... Tu és a folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim.
Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (Palmares, 9 de maio de 1895 — Recife , 5 de maio de 1965) foi um poeta brasileiro. Órfão aos treze anos de idade, passou a trabalhar na mercearia de um tio e, em 1911, publicou no jornal A Notícia de Palmares o seu primeiro poema, Flor Fenecida . Em 1920, mudou-se para o Recife, onde tornou-se funcionário público e passou a colaborar com o Diário de Pernambuco e outros jornais. Em 1922 casou-se com Maria Stella, filha do poeta, funcionário público e literário
Na paisagem da rua calma, tu vinhas vindo… vinhas vindo…, e teu vestido era tão lindo que parecia que tu vinhas envolvida na tu’alma… Alma encantada; ama lavada e como que posta ao sol para corar… E que mãos misteriosas terão feito o teu vestido, que até parece o de Maria Borralheira, quando foi se casas…! ? Certamente foi tecido pelas mãos de uma estrela fiandeira, com fios de luz, no tear do luar… no tear do luar… O teu vestido era tão que parece o de Maria Borralheira quando foi se casar… ? “
(Romance) Para os 3 Manuéis: Manuel Bandeira Manuel de Souza Barros Manuel Gomes Maranhão Num sobradão arruinado, Tristonho, mal-assombrado, Que dava fundos prá terra. ( "para ver marujos, Ttituliluliu! ao desembarcar"). ...Morava Manuel Furtado, português apatacado, com Maria de Alencar! Maria, era uma cafuza, cheia de grandes feitiços. Ah! os seus braços roliços! Ah! os seus peitos maciços! Faziam Manuel babar... A vida de Manuel, qque louco alguém o dizia, era vigiar das janelas toda noite e
Um dia no engenho, Já tarde da noite Que estava tão preta Como carvão... A gente falava de assombração: — O avô de Zé Pinga-Fogo Amanheceu morto na mata Com o peito varado Pela canela do Pé-de-Espeto! — O cachorro de Brabo Manso Levou, sexta-feira passada, Uma surra das caiporas! — A Mula de Padre quis beber o sangue Da mulher de Chico Lolão... Na noite preta como carvão A gente falava de assombração! Lá em baixo a almanjarra, A rara almanjarra, Gemia e rangia Oue o Engenho Alegria É bom moedor.
Fitas e fitas... Fitas e fitas... Fitas e fitas... Roxas, verdes, brancas, azuis, Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas! Bandeirinhas de papel bulindo no vento!... Foguetes do ar... — "De ordem do Rei dos Cavaleiros, a cavalhada vai começar!" Fitas e fitas... Fitas e fitas... Fitas e fitas... Roxas, verdes, brancas, azuis... — Lá vem Papa-Légua em toda carreira e vem com os arreios luzindo no sol! — Danou-se! Vai tirar a argolinha! — Pra quem será? — Lá vem Pé-de-Vento! — Lá vem Tira-Teima! —
A rês tresmalhada ouviu na quebrada, soar a toada, de alguém que aboiou: — Hô — hô — hô — hô — hô, Vaá! Meu boi Surubim! Boi! Boiato! E, logo espantada, sentindo a laçada, no mato embocou... Atrás, o vaqueiro, montando o "Veleiro" também mergulhou... Os casco nas pedras davam cada risco que só o corisco de noite no céu... Saltaram valados, subriam oiteiros, pisaram faxeiros e mandacarus... Até que enfim... No Jatobá do Catolé, bem junto a um pé de oiticoró, já do Exu na direção.
Hora de comer — comer! Hora de dormir — dormir! Hora de vadiar — vadiar! Hora de trabalhar? — Pernas pro ar que ninguém é de ferro!.
A escola que eu frequentava era cheia de grades como as prisões. E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário; Complicado como as Matemáticas; Inacessível como Os Lusíadas de Camões! À sua porta eu estava sempre hesitante... De um lado a vida... — A minha adorável vida de criança: Pinhões... Papagaios... Carreiras ao sol... Vôos de trapézio à sombra da mangueira! Saltos da ingazeira pra dentro do rio... Jogos de castanhas... — O meu engenho de barro de fazer mel! Do outro lado, aquela tortura:
O recifense Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro. Em 1903, transferiu-se para São Paulo, onde iniciou o curso de engenharia na Escola Politécnica. No ano seguinte, abandonou os estudos por causa da tuberculose e retornou para o Rio, onde escreveu poesia e prosa, fez crítica literária e deu aulas na Faculdade Nacional de Filosofia. Por causa da doença, passou longos períodos em estações climáticas no Brasil e na Europa .
VI ONTEM um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. Manuel Bandeira.
Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas. Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico D
O sino bate, o condutor apita o apito, solta o trem de ferro um grito, põe-se logo a caminhar...
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo.
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: -Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com sua cara. A moça olhou de lado e esperou. -Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada? A moça se lembrava: -A gente fica olhando...